Colocar uma criança em conteúdo de marca não é apenas escalar um adulto menor. Há assimetria de poder, permanência do registro, dados pessoais e pressão comercial.
Este é um roteiro de cautela editorial, não uma conclusão jurídica sobre uma campanha concreta.
Comece pelo melhor interesse
A ANPD afirma que o melhor interesse da criança e do adolescente deve prevalecer no tratamento de seus dados pessoais. Isso pede uma pergunta anterior à ideia criativa: a participação beneficia ou ao menos respeita aquela criança, além de beneficiar a marca?
Responsável não substitui escuta
Obtenha as autorizações necessárias e explique a atividade de modo compreensível para idade e maturidade. Observe desconforto durante gravação. Uma criança que não quer continuar não deve ser pressionada porque o set está pago.
Minimize exposição
Evite escola, uniforme identificável, endereço, rotina, localização em tempo real, documento, condição de saúde e outros detalhes que facilitem identificação ou risco. Pense na combinação de pistas, não só em cada dado isolado.
Publicidade precisa ser reconhecível
Conteúdo patrocinado deve ser identificado de forma clara. Não explore medo, ingenuidade, constrangimento ou autoridade da criança para pressionar compra. As regras do CONAR e as normas aplicáveis precisam ser consultadas na versão atual.
Planeje o depois
- por quanto tempo a peça ficará no ar;
- onde poderá ser impulsionada;
- quem responderá a pedido de retirada;
- como o material bruto será protegido;
- como republicações e recortes serão controlados;
- o que muda quando a criança crescer.
Alternativas criativas
Animação, mãos de adulto, narração, demonstração de produto sem criança identificável e situações ficcionais podem comunicar a ideia com menos exposição. Não use uma criança apenas como atalho emocional.
O padrão certo é mais alto porque a capacidade de compreender consequências é diferente, enquanto a internet pode conservar o material por muitos anos.