“Quero fazer um vídeo sobre produtividade.” Isso é um território, não uma pauta. Não informa quem está na cena, qual pergunta será respondida nem o que poderá ser mostrado. O roteiro trava porque ainda há decisões demais escondidas dentro de uma palavra.
Uma pauta filmável tem três elementos: uma situação, uma tensão e uma mudança observável.
Comece por uma situação que existe
Produtividade onde? Ao voltar do almoço, ao receber vinte mensagens, ao abrir uma tarefa grande ou ao tentar estudar em casa? Quanto mais visível a situação, mais fácil encontrar imagem e linguagem.
Em vez de “ansiedade”, tente “o minuto antes de apresentar um trabalho”. Em vez de “marketing”, tente “o que escrever na primeira mensagem depois que alguém pede preço”. O tema continua presente, mas agora há um momento.
Encontre a tensão
Tensão não precisa ser drama. É a distância entre o que a pessoa quer e o que impede o movimento.
A pessoa quer retomar a tarefa, mas perdeu o contexto depois da interrupção.
Essa frase oferece uma pergunta: como recuperar o fio sem reler tudo? Também sugere cenas: uma tela cheia, uma anotação incompleta, a volta ao documento. A pauta começou a pedir um vídeo.
Defina uma mudança que possa aparecer
“Ajudar as pessoas” é uma intenção generosa e impossível de revisar. Prefira algo que o arquivo final possa demonstrar: escolher uma opção, corrigir um erro, reconhecer um sinal, executar uma sequência.
Use a fórmula como rascunho, não como título:
Para [pessoa em situação], mostrar como [ação ou critério] para [resultado observável].
Exemplo: “Para quem volta a uma tarefa interrompida, mostrar como deixar uma nota de retomada com o próximo passo e a dúvida aberta”.
Agora o roteiro sabe o que excluir. Não precisa explicar toda a ciência da atenção nem listar dez aplicativos.
Faça o teste da câmera
Liste três coisas que o espectador verá. Se todas forem “uma pessoa falando”, o assunto talvez ainda esteja abstrato. Texto, diagrama e fala também são recursos visuais, mas precisam mostrar relação: antes e depois, parte e todo, causa e efeito, escolha e consequência.
Para a pauta da retomada, as três cenas poderiam ser:
- o cursor parado num documento sem contexto;
- uma nota com “próximo passo” e “dúvida aberta”;
- a volta no dia seguinte começando pela nota.
Só então escolha o formato
Talvez a pauta peça uma demonstração de tela. Talvez funcione como pequena história ou como desenho explicativo. Escolher “Reel com cinco dicas” antes de entender a pergunta costuma obrigar o conteúdo a caber num molde.
Na Reelava, uma ideia pode iniciar pesquisa e roteiro, mas a entrada melhora quando já contém situação, tensão e mudança. “Como ser produtivo” deixa o sistema adivinhar quase tudo. “Como retomar uma tarefa depois de uma interrupção sem reler o projeto inteiro” já traz uma direção editorial.
Uma boa pauta não é uma frase sofisticada. É uma decisão pequena o bastante para virar cena.